Grande asteroide passará 'raspando' pela Terra em novembro

Cientistas da Nasa avisam que não há risco de colisão com o planeta. Apenas em 2028 outro asteroide chegará tão perto da Terra

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Foto: NASA/Cornell/AreciboAsteroide visto pelo telescópio de Arecibo, em 19 de abril: perto, mas sem riscos

Um grande asteroide vai passar "raspando" pela Terra em novembro deste ano, informou a Nasa, a agência espacial americana.

Embora o asteroide 2005 YU55 tenha sido classificado como um objeto potencialmente perigoso,
os especialistas dizem que não há riscos de que ele colida com a Terra nos próximos cem anos.

Esta é a primeira vez que cientistas preveem a passagem tão próxima à Terra de um objeto desse tamanho.

A Nasa informou que um evento como esse não deve se repetir até 2028, quando o asteroide (153814) 2001 WN5 deve passar a uma distância ainda menor do nosso planeta.

Identificado em 2005 pelo astrônomo Robert McMilan, do Spacewatch Program, em Tucson, no Estado do Arizona (EUA), o asteroide 2005 YU55 vai passar a uma distância de 323 mil km da Terra.



Observação
Com cerca de 400 metros de diâmetro, ele poderá ser visto por meio de telescópios relativamente pequenos. O melhor momento para tentar observá-lo, segundo a Nasa, será na noite de 8 de novembro, depois das 21h na zona do Atlântico leste e oeste africano. Mas não será fácil acompanhar sua trajetória, já que o asteroide estará se movendo em alta velocidade.

Segundo descrições, trata-se de um objeto muito escuro, de forma esférica.

Os astrônomos pretendem aproveitar a oportunidade para estudar a rotação do asteroide e determinar a aspereza de sua superfície e sua composição mineral.

Astrônomos afirmam ter descoberto galáxia mais distante

Telescópio Hubble captou galáxia situada a cerca de 13,2 bilhões de anos-luz da Terra

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Foto: NASA

A galáxia recém-encontrada, batizada de UDFj-39546824, foi achada em uma minúscula área do céu denominada Campo Ultra Profundo do Hubble

grupo de astrônomos descobriu a que poderia ser a galáxia mais distante detectada até o momento, situada a cerca de 13,2 bilhões de anos-luz, segundo estudo publicado pela revista científica "Nature".

A minúscula mancha de luz, flagrada pelo telescópio orbital Hubble, levou 13,2 bilhões de anos para chegar à Terra, o que significa que a galáxia nasceu cerca de 480 milhões de anos após o "Big Bang" que criou o cosmos.Segundo os cientistas, é provável que haja galáxias mais antigas, mas só serão detectadas com sensores de nova geração a bordo do sucessor do Hubble.

"Estamos nos aproximando das primeiras galáxias, que achamos que foram formadas entre 200 e 300 milhões de anos depois do Big Bang", ressaltou Garth Illingworth, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo.

Em sua pesquisa, Illingworth e Rychard Bouwens, da Universidade de Leiden (Holanda), utilizaram dados reunidos pela câmara Wide Field Camera 3 (WFC3) do Hubble.

Com eles, os astrônomos observaram as mudanças que se produziram nas galáxias de 480 a 650 milhões de anos depois do "Big Bang".

A equipe observou que a taxa de nascimento das estrelas no universo aumentou cerca de dez vezes durante esse período de 170 milhões de anos, o que Illingworth considerou um "aumento assombroso em um período de tempo tão curto, somente 1% da idade atual do universo".

Os astrônomos também registraram mudanças significantes no número de galáxias detectadas.

"Nossas buscas anteriores tinham encontrado 47 galáxias quando o universo tinha cerca de 650 milhões de anos", disse Illingworth, quem acrescentou que "o universo está mudando muito rapidamente em um período de tempo muito curto".

Por sua vez, Bouwens afirmou que os resultados dos estudos são consistentes com a imagem hierárquica da formação das galáxias, segundo a qual estas cresceram e se uniram sob a influência gravitacional da matéria escura.

Para chegar à nova descoberta, os astrônomos calcularam a distância de um objeto no espaço com base em seu "deslocamento rumo ao vermelho", fenômeno que ocorre quando a radiação eletromagnética - normalmente a luz visível - que se emite de um objeto tende ao vermelho no final do espectro.

Sua medida é considerada pela comunidade astronômica internacional como o procedimento mais confiável para calcular distâncias espaciais.

A galáxia recém-descoberta alcançou um nível provável de "redshift" (desvio rumo ao vermelho) de 10,3 pontos.

Os especialistas acrescentaram que a galáxia em questão é pequena se for comparada às enormes já vistas no universo, como a Via Láctea, pelo menos 100 vezes maior.

Desvio de vermelho
Astrônomos que medem a idade da luz estelar buscam algo chamado desvio do vermelho: quanto mais a luz viaja, mais longo e mais vermelho é o seu comprimento de onda.

Assim, uma grande quantidade de desvio para o vermelho indica que o objeto é velho porque a luz que emitiu levou bilhões de anos para atravessar o universo.

A galáxia recém-encontrada, batizada de UDFj-39546824, foi achada em uma minúscula área do céu denominada Campo Ultra Profundo do Hubble durante 87 horas de varreduras em 2009 e 2010.

Seus descobridores calculam seu desvio para o vermelho em impressionantes 10,3, cifra que a torna muito mais velha do que o registro anterior existente de antiguidade de uma galáxia, de 8,6, anunciada por uma equipe internacional de cientistas em outubro passado.

"Este resultado está no limite das nossas capacidades, mas levamos meses fazendo testes para confirmá-lo, portanto agora nos sentimos muito confiantes", declarou Illingworth em um comunicado.

Para sua antiguidade, esta remota galáxia é pequena. A nossa Via Láctea, por exemplo, é 100 vezes maior.

As observações também encontraram outras três galáxias com desvios para o vermelho superiores a 8,3.

Segundo o estudo, colocadas juntas, estas descobertas sugerem que as galáxias passaram por uma mudança dramática entre 480 e 650 milhões de anos, depois do Big Bang.

Durante estes 170 milhões de anos, a taxa de nascimento estelar no universo aumentou dez vezes.

"Este é um aumento impressionante em um período tão curto, correspondente a apenas 1% da idade atual do universo", destacou Illingworth.

As estrelas e as galáxias se multiplicam e isto sustenta teorias de que a formação galáctica é forjada pela atração gravitacional de um elemento ainda pouco conhecido, a matéria negra.

As observações foram feitas com a nova Câmera de Campo de Visão Amplo 3, instalada no telescópio Hubble por astronautas da Nasa em missão celebrada em maio passado.

A Câmera de Campo de Visão Amplo aumentou em pelo menos 30 vezes a sensibilidade de desvio para o vermelho em comparação com o equipamento anterior do telescópio.

Mas um desvio para o vermelho de 10,3 provavelmente está no limite de sua sensibilidade. Para mergulhar ainda mais no tempo, os astrônomos precisarão do Telescópio Espacial James Webb, que a Nasa espera lançar em 2014.

Astrônomos descobrem estrelas nascidas logo após o Big Bang

Astrônomos descobrem estrelas nascidas logo após o Big Bang

Galáxia de quando o Universo tinha menos de 1 bilhão de anos, avistada pelo Hubble, contém as estrelas mais antigas já encontradas




Foto: HST/Nasa-ESAAmpliar

O aglomerado de galáxias Abell 383, que concentra a luz de estrelas distantes

Usando o poder que a gravidade tem de focalizar a luz das estrelas, astrônomos descobriram uma galáxia distante, cujos astros são os mais antigos já encontrados. O resultado ajuda a entender melhor os estágios iniciais da evolução do cosmo.

“Descobrimos uma galáxia distante que começou a formar estrelas apenas 200 milhões de anos após o Big Bang”, a grande explosão que originou o cosmo, explica, por meio de nota, o pesquisador Johan Richard, principal autor do novo estudo. “Isso representa um desafio para as teorias a respeito da formação e evolução das galáxias nos primeiros anos do Universo”.

Ainda de acordo com Richard, a descoberta pode ajudar a explicar como a “neblina de hidrogênio” que preenchia o espaço no Universo primitivo acabou se dissipando.

A equipe do cientista avistou a galáxia em imagens recentes obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble. A descoberta, depois, foi confirmada por outro observatório orbital, o Spitzer, e avaliada pelo Observatório Keck, baseado num vulcão do Havaí.

A galáxia distante aparece do outro lado de um aglomerado de galáxias chamado Abell 383, cuja gravidade desvia raios de luz, como uma lente de aumento. O alinhamento casual entre a galáxia, o aglomerado e a Terra amplifica a concentração da luz distante que chega até nós, permitindo as observações.

A imagem da galáxia obtida pelos astrônomos é de quando o Universo tinha 950 milhões de anos. Mas ela contém muitas estrelas antigas, que devem ter se formado quando o cosmo tinha apenas 200 milhões de anos. “A galáxia é feita de estrelas surpreendentemente antigas”, disse, também por meio de nota, o coautor Eiichi Egami.

A descoberta pode ajudar a explicar como o Universo ficou transparente para a luz ultravioleta durante seu primeiro bilhão de anos – a idade atual do cosmo é estimada em pouco menos de 13 bilhões de anos.

Nos primeiros anos do Universo, uma neblina de hidrogênio preenchia o espaço, e esse gás bloqueia a passagem da radiação ultravioleta. Alguma fonte de energia tem de ter afetado o gás, para que ele se tornasse transparente para esse tipo de luz. Estrelas muito antigas, como as recém-descobertas, podem ter desempenhado essa função.

Aumenta a chance de detecção de primeiras estrelas do Universo

Estrelas primordiais podem ter morrido em explosões de raios gama, que podem ser avistados por telescópios em órbita


Foto: NasaAmpliar

Imagem de uma explosão de raios gama, feita pelo Observatório Espacial Chandra

As primeiras estrelas a aparecer no Universo não eram apenas imensas, mas provavelmente também giravam em alta velocidade, de acordo com novo estudo sobre a evolução estelar. Se isso for verdade, astrônomos têm uma maior chance de encontrá-las.

Essas estrelas primordiais morreram há muito tempo, mas cientistas conseguem algumas pistas de como elas eram ao estudar as gerações posteriores.

Uma equipe de pesquisadores, liderada por Cristina Chiappini, do Instituto de Astrofísica de Potsdam, na Alemanha, analisou dados do VLS, um telescópio baseado no Chile, referente a um aglomerado estelar de 12 bilhões de anos.

Eles encontraram um grande nível de “metal” nas estrelas – astrofísicos chamam de “metal” todos os elementos mais pesados que o hidrogênio e o hélio. Essa característica sugere que as gerações anteriores de estrelas tinham grande massa e giravam muito mais depressa que as atuais.

Isso é importante porque estrelas com alta taxa de rotação podem viver mais e sofrer destinos diferentes das estrelas comuns. A descoberta é descrita na edição desta semana do periódico científico Nature.

A teoria atual sustenta que o Universo nasceu há 13,7 bilhões de anos, numa explosão batizada de Big Bang. Nos 200 milhões de anos subsequentes, o Universo resfriou-se, ficando escuro e sem estrelas.

As primeiras estrelas a nascer eram diferentes das atuais, que são compostas principalmente de hidrogênio, mas também contêm átomos pesados como oxigênio ou carbono. As primeiras eram quase que exclusivamente hidrogênio e hélio.

Essas estrelas primitivas morriam cedo e, ao explodir, espalhavam pelo espaço os elementos que viriam a compor as gerações seguintes.

Se as primeiras estrelas realmente giravam com intensidade, algumas delas devem ter morrido em explosões de raios gama, o que significa que os cientistas têm uma chance de detectá-las.

Existem telescópios orbitais capazes de detectar explosões de raios gama do espaço com certa facilidade.